O setor de varejo é, sem dúvidas, um dos maiores e mais importantes segmentos do mercado. Para se ter uma ideia de sua dimensão, uma pesquisa realizada pela eMarketer, uma das mais conhecidas empresas de pesquisa de mercado do mundo, mostrou que em 2022, as vendas totais do segmento deverão chegar a quase US$27 trilhões. Em um setor com essa dimensão, estar alinhado às tendências e novidades é fundamental para quem deseja ter sucesso.

Com isso em mente, a National Retail Federation, a maior associação de comércio varejista do mundo, organiza todos os anos a Retail’s Big Show, ou NRF, como é conhecida. A feira é a mais importante do segmento e acontece em janeiro, na cidade de Nova York. Durante o evento, palestras e workshops dividem espaço com os estandes de exposição, onde encontramos gigantes do varejo e pequenas startups, que mostram quais as principais novidades do mercado.

Apesar de acontecer nos Estados Unidos, o que é mostrado na NFR tem impacto direto em empresas do mundo todo e se torna tendência em diversos mercados, inclusive no brasileiro. Por isso, neste artigo irei falar mais sobre algumas tendências do varejo que podem e devem ser aplicadas ao mercado brasileiro, para que as empresas e empresários do segmento no país possam se desenvolver.

Omnichannel mais do que nunca é obrigação
Em um mundo totalmente conectado, onde o público mais jovem está assumindo um papel de destaque dentro das estratégias comerciais das empresas, o conceito de estar atuando em diferentes plataformas deixou de ser um diferencial para se tornar uma obrigação.

Enquanto para empresas mais tradicionais, o omnichannel ainda é considerado um recurso moderno, aos olhos da geração Z e Alpha, que são os nascidos após os anos de 2000 e 2010, respectivamente, estar inteirado dos recursos do omnichannel é obrigação, afinal, eles já nasceram em um ambiente onde a integração do virtual com o físico deixou de ser um desejo para se tornar uma realidade.

Hoje o omnichannel é quase uma commodity. Principalmente em tempos de pandemia, quem não está praticando esse conceito acaba estando fora do mercado, afinal, ele se tornou o básico do varejo.

Metaverso é a bola da vez
Se o conceito de omnichannel já está no limite de se tornar obsoleto, a novidade é o Metaverso. Ganhando popularidade no último ano, principalmente após as mudanças no antigo Facebook, o termo sem dúvidas, foi a palavra da NRF#22 e deve ser um ponto de atenção para o mercado. O metaverso é hoje o que o omnichannel foi no passado, um conceito onde todos estão apostando e todos querem falar sobre.

Apesar do destaque, o conceito ainda é motivo de muitas dúvidas e discussões, afinal, apesar de todos concordarem com o grande poder de impacto que essa tecnologia possui, as empresas ainda estão descobrindo como se deve, ou não, utilizar essa tecnologia.

No cenário em que estamos hoje, ninguém ainda sabe muito bem qual plataforma utilizar, como utilizá-la, como ter destaque e o que fazer com a empresa dentro do mundo do metaverso. As empresas estão fazendo grandes investimentos para entender como tudo isso funciona, porque uma coisa sabemos: quem for criativo e conseguir pegar o início desse processo vai ter oportunidades incríveis no futuro.

A importância do ESG dentro do varejo:
Se o metaverso foi o principal tema da feira, ESG ocupou o segundo lugar. A sigla, derivada de “Environmental”, “Social” e “Governance”, orienta a preocupação das empresas com boas práticas de governança e temas sociais e ambientais. Os valores de ESG são um dos principais indicadores ao qual devemos estar atentos.

O foco nesse tema é totalmente justificado em uma sociedade que está cada vez mais preocupada com as consequências de suas ações para o coletivo. É fundamental que as empresas estejam alinhadas aos valores do seu público. Especialmente  em um contexto tão concorrido em que existem infinitas opções de um mesmo produto disponíveis para os cliente em poucos cliques, as ações de ESG podem significar a diferença entre perder ou fidelizar um cliente.

Tecnologia: qual utilizar em um mercado cada vez mais dinâmico:
Se no passado um problema recorrente para as empresas varejistas era a falta de tecnologia para colocar em prática alguma ação, hoje, essa situação é completamente diferente. Com os avanços tecnológicos, encontramos uma série de soluções que parecem ter sido tiradas de filmes de ficção científica e esses conceitos se tornam muito mais comuns e acessíveis a todos. A tecnologia não é mais um limite. Não importa a solução que você pensa em colocar em sua loja, existe uma iniciativa tecnológica para te atender.

É necessário e de extrema importância entender que com as infinitas possibilidades relacionadas à tecnologia, um outro problema surgiu: o excesso. Na busca por inovar e oferecer aos clientes soluções incríveis e disruptivas, muitas empresas cometem um erro: sacrificar a boa experiência por uma jornada mais tecnológica. O grande desafio hoje é selecionar o que, entre as muitas opções disponíveis no mercado, serve para você, o que de fato é assertivo para o seu tipo de negócio. É necessário ter foco para que não se tenha muitas iniciativas tecnológicas e, no final, não consiga desenvolver nenhuma delas. É preciso se perguntar: o que vai realmente levar valor para o meu negócio?

Em um mundo de tecnologias, existem outros pontos que acredito que sejam importantes de serem ressaltados como: realidade aumentada, automação avançada, o uso de dados, criptomoedas e NFT. Esses tópicos merecem ser levados em consideração e chamam atenção como tendências próximas e palpáveis do varejo.

Em um mundo onde avanços surgem a cada segundo e o mercado está em constante transformação, estar atento às inovações e novas oportunidades é essencial para quem busca sucesso em qualquer segmento, especialmente no varejo.

Os ciclos de vida das tecnologias estão cada vez mais curtos. Cada vez mais tecnologias nascem, se desenvolvem, vão para o mercado e ficam obsoletas com maior velocidade, por isso, é fundamental acompanhar a feira todos os anos para não ficar para trás, achando que está atualizado.

Tiago Serrano, da SoluCX

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